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Autódromo de Curitiba começa a ser demolido, mas decisão da Justiça força interrupção

Bairru Urbanismo, dona da propriedade onde está o Autódromo de Curitiba e que planeja um empreendimento imobiliário no local, chegou a colocar escavadeiras na pista

As primeiras horas da manhã desta sexta-feira (17) viram uma correria no Autódromo Internacional do Curitiba, desativado desde que recebeu a Copa Truck no começo do mês e ameaçado de destruição. Um vídeo gravado por membros do Movimento SaveTheAIC, que tenta evitar o sumiço do circuito, mostrava escavadeiras na pista trabalhando e destruindo uma parte do traçado local. Mas a decisão da Justiça forçou a interrupção das obras.

Na realidade, a Vara de Fazenda Pública de Pinhais, localizada na Região Metropolitana de Curitiba e onde realmente está o autódromo que leva o nome da capital paranaense, determinou ainda na última quinta-feira que o circuito não fosse destruído até que o processo de tombamento seja concluído pelo órgão responsável, o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. Este é o segundo processo de tombamento que visa evitar a derrubada da pista. O primeiro não prosperou.

A decisão a Justiça adianta que o pedido de tombamento se dá porque as obras vão descaracterizar o patrimônio histórico, cultural e paisagístico local. A destruição será irreversível.

A dona do imóvel é a construtora Bairru Urbanismo, que definiu pela derrubada do autódromo e a construção de um empreendimento imobiliário. De acordo com a decisão judicial, os envolvidos no processo têm dez dias para se manifestar.

“Quanto à área do Autódromo, o Município de Pinhais esclarece que trata-se de propriedade particular, sem qualquer interferência da municipalidade em seu funcionamento ou administração”, disse a prefeitura de Pinhas em comunicado. “Destaca-se que, como se tem conhecimento, os proprietários do imóvel decidiram dar-lhe uma nova destinação, com a implementação de um novo empreendimento imobiliário. Tal projeto foi apresentado ao Município e cumpre todos os parâmetros legais e necessários para sua consecução, conciliando o interesse urbanístico e a preservação histórico cultural. Cumpre-nos informar ainda que, o projeto de Operação Urbana Consorciada, obedeceu aos necessários trâmites legais, inclusive com a realização de audiência pública que contou com a participação massiva da sociedade”, seguiu.

“No que se refere à solicitação de Tombamento do Autódromo, o Município de Pinhais informa que está pendente de análise e decisão do competente Conselho Municipal, respeitando todos os trâmites administrativos/legais. Quanto à decisão liminar, noticiada pela imprensa, a intimação da municipalidade ocorreu na data de hoje, ao final desta manhã, a qual está cumprida em seus termos, naquilo que compete ao Ente Público”, finalizou.

Ao G1 Paraná, a Bairru reforçou que não tinha sido informada oficialmente sobre a decisão de congelar a derrubada da pista e que fora permitida um dia antes, na quarta-feira, a começar as obras. Defendeu, ainda, que se trata de uma propriedade particular, mas parou as obras pela definição da Justiça e pretende recorrer assim que receber a decisão oficialmente.